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Aline Abreu. Tecnologia do Blogger.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Medida para felicidade

Hoje eu vi uma noticia da Marie Claire sobre uma moça que fez cirurgia do estomago, emagreceu 82 Kg e disse que isso não trouxe a felicidade que ela esperava que trouxesse.

mulher-perfeita1Fiquei abismada com os comentários que diziam que ela tinha algum problema em não estar feliz sendo magra ou que ela era feia mesmo, gorda ou magra.

Mas o que ela quis dizer é que NUNCA seremos perfeitos para o que a mídia mostra. A mulher perfeita é praticamente inexistente. Nem mesmo modelos e atrizes tem o corpo perfeito e olha que elas vivem disso.

Tem gente que diz que para ser perfeita uma mulher tem que ser: branca, de preferencia cartoons_208_Mulher perfeitacom os olhos claros e cabelos bem lisos. Uma vez, vi uma matéria, não lembro onde, estou procurando, que dizia que a mulher perfeita tinha que ter pernas longas, quadril largo, cintura fina, peitos médios, rosto fino, pé pequeno, mãos pequenas, tinha até proporções. Serial algo similar a uma Barbie mesmo…

No meio das buscas por esse artigo, achei um bem mais interessante, que diz que a 100 anos a mulher perfeita tinha 77,5Kg e corpo Pera.

110906_homens_mulher_perfeitaEu acho que toda mulher já reparou que o tamanho das roupas diminuiu nos últimos anos e que a ditadura da beleza existe para que nenhuma mulher se sinta adequada.

O que a moça da reportagem quis dizer é que nenhuma mulher se sentirá perfeita, mesmo que passe por dezenas de plásticas, que viva malhando e que coma o mínimo necessário para sobreviver.

Muitas pessoas alegam que ser gordo não é saudável, mas já foi provado que é muito pior entrar em dietas restritivas que estar um pouco acima do peso. Muitas pessoas que quando gordas não tinham nenhum problema, passaram a ter após dietas restritivas.

O correto é se alimentar bem, de todos os grupos alimentares, praticar exercícios regularmente. Não deveria importar se você tem uma barriguinha ou se você está um pouco acima do peso.

Muita gente pensa: vou fazer uma determinada dieta até emagrecer, depois volto a comer normal. E ai emagrece e engorda novamente, causando o famoso efeito sanfona. Muita gente acha que deverá viver de dieta para se manter magro, mas não, por que isso não deveria importar. Se realmente as pessoas pensassem na saúde, elas iriam comer de tudo que é necessário, várias vezes por dia, todos os dias e estariam saudáveis.

Ser magro não é sinônimo de ser saudável e ser gordo não é sinônimo de ser sem saúde.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Perfeição ou não

Eu com 15Kg a mais que hoje. Acordei, me espreguicei, levantei e olhei no espelho: “Você ainda está gorda” eu pensei, olhando para meu próprio reflexo no espelho. Afinal, ele e a balança não mentem. Ainda estou 4Kg acima do peso máximo considerado saudável para minha altura e 14Kg acima do “ideal”.

Me vesti, tomei café da manhã, precário, escovei os dentesEu, agora, fui para a fisioterapia, um dos motivos pelos quais preciso emagrecer, meu peso e meu peito grande estão fazendo mal para minha coluna. Eu disse ao médico que meu peito provavelmente não diminuiria muito, afinal, eles já eram grandes quando eu pesada 55Kg. Mas mesmo assim ele insiste que eu emagreça.

Já foram 15Kg, mudei minha alimentação, comecei a fazer exercícios e mesmo assim nesse meio de tempo descobri que tenho gordura no fígado e problemas na coluna.

dove2pm01      Ainda no prédio que faço fisioterapia, faço um tipo de academia, acompanhada por fisioterapeutas, com exercícios para emagrecer.

Cada vez que como um chocolate, um lanche ou qualquer outra coisa “não saudável”, me sinto culpada, por isso durante a fisio como uma maçã, uma ameixa ou qualquer outra fruta. Depois vou até o espaço vida saudável e tomo um shake de proteína, que é gostoso, mata minha fome e tem todos os nutrientes, v-plus-size-curves-ahead-5vitaminas, minerais e etc.. Além disso, tomo cálcio extra, fibras, multi vitaminas e ômega 3.

Vou para a escola onde dou aulas, troco de roupa, dou algumas aulas, faço uma parada, como um lanche(pão com peito de peru, frutas, sopinhas, patês, etc.). A noite, na hora do jantar, tomo um outro shake. Antes de dormir como mais uma fruta ou um copo de leite.

Não sinto fome não, passo até muito bem e ando me sentindo melhor de saúde. Não tenho mais dor no estomago. Me sinto mais leve, mais disposta, meu intestino funciona melhor.

Aos fins de semana como comida japonesa, churrasco, pizza ou McDonalds. Não ando mais subindo escadas por que estou proíbida.

modelosggTenho essa dor que mal me deixa levantar nas últimas semanas e nem sei mais o que fazer. Mesmo comendo pouco parei de perder peso e algumas pessoas desconfiam que eu esteja fazendo tudo “certinho”. Já ouvi falar de platô, que é quando nosso corpo se acostuma a gastar apenas aquilo que ingerimos e então deixamos de emagrecer, para que a perda de peso volte, precisamos começar a fazer exercícios diferentes, a comer em horários diferentes, mudar o tipo de alimento.

Eu pretendia ir para o trabalho todos os dias de bicicleta, mas fui pega de surpresa por essa dor. Desculpa, alguns podem dizer. Falta de vontade.

Antes de dormir, eu me olho no espelho e penso: “Gorda”.moda-gordinhas-08

É esse por acaso o jeito que tod@s temos que viver? Se olhando no espelho e se sentindo inadequada? Sendo reprovada pelas pessoas que teoricamente amam você por aquilo que você tem vontade de comer?

Qual a vantagem de ser magra se você for infeliz? Eu deveria sim me preocupar com minha saúde e querer emagrecer por causa disso, mas eu sei que não é assim. Não foi por isso que decidi emagrecer, foi por que queria me encaixar em um padrão, foi por que queria sentir que algumas pessoas gostavam de mim e para isso eu tinha que mulheresser magra.

Estou vendo aqui na TV, algumas pessoas fazendo body shaming com as musas do carnaval, mulheres lindas, gostosas. Algumas por que estão musculosas demais, outras um pouco acima do peso, como a rainha da bateria da beija-flor, que a meu ver não precisa perder nem 1 grama. Sério, existe alguém que esteja em perfeição para essa sociedade?

Hoje, em um grupo no facebook, o cem+1, estavamos falando sobre o tamanho das raissa_egoroupas, elas diminuiram nos últimos anos. Uma roupa tamanho 42 de hoje é igual a uma 38 de alguns anos atrás. Algumas empresas desprezam quem está fora do padrão. Isso ajuda que eu acorde de manhã e me sinta um lixo ao me olhar no espelho ou ao subir na balança. Isso faz com que eu saia chorando quando vou comprar roupas. Faz com que eu me ache horrível e que realmente eu preciso fazer de tudo e qualquer coisa, só para me encaixar.

É triste sim, mas é real.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Comida Japonesa

BXK10954_comida-japonesa800 Faz uma semana que comi comida japonesa de verdade. Eu nunca tinha ido a um restaurante japones e adorei as comidas lá servidas.

Eu juro que morria de medo de comer peixe cru, afinal, é cru né? Pois bem, eu fui e comi sushi, sashimi, temaki, hot roll e mais um monte de comidas diferentes. Tanto que por 3 dias seguidos depois comi temaki em outro lugar.comida-japonesa-103151914_g

Isso me fez pensar: quantas coisas deixamos de experimentar na vida por medo, receio ou nojo? Coisas que podem ser incrivelmente deliciosas?

Estou falando de comida sim, mas também de muitas outras coisas: Quem nunca deixou de ficar com alguém por causa do que os outros iam pensar? Tem pessoas que não viajam de avião ou rodizio-comida-japonesa-restaurate-hoshi de navio por medo.

Tem pessoas que não comem coisas diferentes, que não experimentam posições sexuais diferentes, que fogem das opções.

Muitas vezes vivemos presos em uma caixa, com medo de enfrentar a liberdade.

Em um episódio recente de Greys Anatomy, um grupo de motoqueiros para no hospital e um deles diz para o Dr. Hunt que ele vive preso em uma caixa de metal(a caminhonete) e tem medo de viver a liberdade e deixar os medos para comida-japonesa trás.

Será que não vivemos presos em nossos medos e deixamos de viver a liberdade que o mundo tem para nos mostrar? Será que o corforto do nosso carro e o preconceito impedem de pilotarmos uma moto e sentir o vento na cara, a adrenalina subindo pelo seu corpo?

comida_japonesa_celson_1 Será que deixamos de amar pessoas pela cor da pela, o tipo de cabelo, o peso ou qualquer outra coisa que a sociedade considera anormal?

Será que deixamos de ser felizes por preconceitos bestas?

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Um divã para dois

20191835.jpg-r_640_600-b_1_D6D6D6-f_jpg-q_x-xxyxx      Assisti um divã para dois e adorei. É claro que os atores devem ajudar muito, os três são incríveis e deixam o filme com uma dinamica ótima. Existem vários coadjuvantes, mas os principais são: Meryl Streep, que consegue encarnar os papeis de uma maneira maravilhosa, Tommy Lee Jones, que faz expressões que dão a impressão de mostrar o que o personagem está pensando e o cômico Steve Carell, eu simplesmente não consigo deixar de rir com ele.

A história é de uma mulher insatisfeita com o casamento. Ela claramenteae08dde65a3991353f0921efdb9e776f está em uma rotina: acorda pela manhã, prepara o café dele, espera ele para o jantar, quando ele dorme na frente da TV ela chama-o, deixa ele em um quarto e segue para outro.

Então ela encontra um anuncio de um terapeuta de casamentos, em um livro que compra sobre o tema e decide investir $4000,00 em uma sessão intensiva de uma semana. No images (1)começo ele fica doido com o dinheiro gasto. Ele é um mão-de-vaca reclamão. Por fim ele decide ir com ela para muito longe de casa fazer essas sessões.

Quando eles chegam ele reclama da cidade pequena, do hotel, do restaurante, dos preços e dorme no sofá.

Quando eles vão ao terapeuta, este faz com que claramente ele fique incomodado, falando sobre a vida sexual(inexistente) dos dois.images

É interessante observar como eles se aproximam e se afastam no sofá e como algumas pequenas coisas façam com que mudanças ocorram no relacionamento, para melhor e para pior.

Um divã para doisVou parar por aqui, caso contrário encherei esse post de spoilers.

O filme vale a pena e mostra como a rotina, a falta de comunicação, e imposições culturais e sociais podem afastar pessoas que vivem em um mesmo teto e queUm-divã-para-dois um dia compartilharam sentimentos, desejos, tesão.

Recomento o filme. É fonte de gargalhadas, lágrimas e boas reflexões.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Ser vadia e a falta de liberdade

400px-Blitz A palavra vadia, que só se aplica a mulheres é um metodo que controlar a vida sexual a liberdade das pessoas. Todas as mulheres um dia foram chamadas de vadias. Receberam isso como insulto.

Quantas vezes, estamos bravos com alguém e ofendemos com termos assim?

Chamar alguém de vadia, de maneira pejorativa é apenas reforçar que toda mulher qimagesue resolve ser dona de seu próprio corpo está errada. É reforçar uma cultura que faz mal a homens e mulheres.

Existem vários motivos para você ser vadia:

* Usar uma roupa que é considerada inapropriada por alguém(mas por quem né?). Curtas, justas, “sexys”.

* Sair/transar com alguns caras diferentes(ainda não descobri o número limite, ninguém sabe dizer, nem em quanto tempo).

VADIA * Sai com um cara compromissado(mesmo VOCÊ sendo solteira), as pessoas esquecem quem foi que jurou fidelidade.

* Se você largar um cara para ficar com outro.

* Se você for homossexual ou bisexual.

* Se você decidir que não quer ficar com alguém e sim com outra pessoa ou nem ficar com ninguém.

* Se você estiver namorando e sair com outra pessoa.

* Se você dançar funk.

* Se dançar samba, forró, pagode, ieieie ou qualquer outra dança, invadia 4cluindo lenta abraçadinha.

* Se você tomar posição em uma discussão.

* Se você não quiser ser mãe.

* Se você tiver mais de um filho de pais diferentes.

* Se você tiver um único filho e não for casada.

vadia (1)* Se você quiser priorizar sua carreira profissional.

* Se não gostar de tarefas domésticas.

* Se você tirar fotos sensuais(mesmo que só pra você).

* Se for stripper;

* Se for prostitutaimages (1)

* Se você quiser dividir a conta

* Se deixar ele pagar

* Se usar rosa, vermelho, amarelo, azul ou qualquer cor não-pastel.

SlutWalk05 * Se usar salto

* Se andar descalça

* Se gostar da Xuxa

…E assim a lista continua.

Você pode ser chamada de vadia por qualquer coisa que você fizer e mais cedo ou mais tarde, você será. 

O que muda é a improtância que você dá para ser vadia. Eu particularmente não estou 370--MARCHA_DAS_VADIAS_HH0276nem ai. Para mim, isso não é ofensa. Ser chamada de vadia, para mim, muitas vezes significa que eu fiz escolhas diferentes do senso comum. Que resolvi ser eu mesma, que decidi correr minha maratonas do meu jeito.

Ser vadia, para mim, é mais do que algo ligado a vida sexual, é poder de escolha. É a liberdade que falta para muitas mulheres.

1 a a a a a tas marcha r7 acredite ou nao minha saia nao tem nada a ver com vc Quando surge um protesto, como a marcha das vadias, as pessoas ficam horrorizadas, e é chocando que muitas vezes fazemos as pessoas pararem para pensar.

Mulheres podem sim ser mal-carater, desleais, assim como homens. Mas nada disso tem haver com ser vadia.

A Fabiane do slutshamingdetected captura e publica muitos posts, imagens e marcha-vadias-3-Gcomentários sobre esse assunto.

A Nádia(Letícia) do Cem Homens também fala muito sobre liberdade. Vale a pena ler.

A Lola do Escreva Lola Escreva tem textos incríveis.

Tem muit@s bloqueiras por ai que são incríveis e como as três citadas acima, escrevem muito melhor que eu!

sábado, 19 de janeiro de 2013

Ensinando crianças a se odiarem

 Outro dia, conversando com minha irmã, que é atriz, ela me contou uma história que me deixou muito, mas muito chocada mesmo.
Para que vocês entendam essa história preciso dizer que assim como eu, minha irmã tem a pele bem branca e cabelos bem lisos(ou seja, está em um grupo de privilégio e só seria mais privilegiada se fosse homem).
Ela estava me contando que um dia acompanhou uma amiga, que fazia estágio em um abrigo de crianças(não sei se o nome orfanato é correto, pois nem todas as crianças são órfãs na verdade). Essa amiga dela dava aula de teatro. Ela sentou para conversar com uma garotinha, que tinha chego recentemente no abrigo, junto com a irmã de colo. Uma garotinha negra, de cabelo crespo e de apenas 3 anos. Essa garotinha não queria participar das atividades e mal respondia para minha irmã.
Querendo puxar assunto com a pequena, minha irmã a elogia e diz que ela é linda e para a surpresa da minha irmã a menina olha para ela e diz: Eu seria linda se tivesse o cabelo igual ao seu. Minha irmã ainda tentou argumentar, dizer que o cabelo dela era bonito e ela só repetia que era mentira, que o cabelo dela era feio, duro e ruim.
Tentando mudar de assunto, minha irmã disse que a cor da pele dela era lindo e perguntou: "troca comigo" e a menina respondeu: "Só se você trocar de cabelo comigo".
Minha irmã então tentou ir por outro rumo e falar de outras coisas.
No mesmo dia, mais tarde, ela foi pegar uma menininha no colo, um bebê e uma das monitoras disse que não era para pegar para que a criança não se acostumasse e depois não ia mais querer dormir sem colo.
Então eu fico pensando, que sociedade é essa que faz com que uma criança odeie seu próprio cabelo?
Que sociedade é essa que acha que um bebê não pode ganhar colo para não atrapalhar os outros?
Ser contra a legalização do aborto é muito fácil, quando depois que a criança nasce ela é maltratada, excluída, ensinada a odiar o próprio corpo, ensinada que não merece amor e carinho e que a vida é muito difícil?
Não entendo como uma criança de 3 (três!!!!) anos pode falar que o cabelo dela é feio, ruim e duro. Nenhuma criança deveria se odiar. Crianças deveriam brincar a aprender que a beleza tem várias faces e que não existe cabelo ruim, pele ruim, olhos ruins. Deveriam aprender que pessoas são iguais e que não existe quantidade de melanina, orientação sexual, tipo de cabelo, gênero ou qualquer fenótipo/genótipo que diferencie o caráter de alguém. 
Crianças deveriam aprender a amar e serem amadas.
Mas ainda assim, tem pessoas que acreditam que é melhor que crianças vivam sendo maltratas e muitas vezes mortas do que que uma mãe escolha não ter um filho.
Muitas pessoas acham um absurdo adotar uma criança "se você pode ter a sua", afinal você não sabe o que aquela criança carrega com ela(sério, como assim????)
Não sei nem o que pensar.

Feminista... eu?




É engraçado que eu percebi que assim como a Lola eu sou feminista a muito tempo. Não sei se desde criancinha, mas com certeza absoluta desde a adolescência ou pré-adolescência(apesar que eu nem sei se esse termo é correto).
Como eu sei disso? Bem, eu nunca fui muito dada a brincadeiras só "de meninas", eu sempre gostei de todo tipo de brincadeira, brincava de roda, pulava corda, esconde-esconde e pega-pega, joga peão, bolinha de gude e batia figurinha. Eu andava muito com os meninos e gostava de jogar futebol, basquete e ping-pong.
Mas tem algumas coisas que eu lembro que não achava justo: ninguém dizia para os meninos que era feio setar de perna aberta, mas pra mim, todo mundo falava, mesmo que eu estivesse de calça; perguntavam aos meninos se eles tinham "namoradinhas" na escola e pra mim, perguntavam se eu tinha muitas "amiguinhas", entre outras coisas.
Uma outra coisa que me marcou muito foi uma vez que um amigo muito querido foi ao mercado comigo e eu sai de lá cheia de sacolas. Ele queria de qualquer jeito carregar as sacolas e eu então disse para ele: "Se fosse o fulano(um outro amigo nosso) que tivesse cheio de sacola você ia querer levar?" e ele respondeu: "Mas fulano é homem". Eu fiquei brava e disse pra ele: "Sou mulher, não tenho problema nos braços ou na coluna pra não poder carregar 4 sacolas!". Ele ficou bem bravo e disse algo como "o que as pessoas vão pensar?".
Esse amigo, é o que os mascus chamaria de cara colocado na "friendzone". Ele era super bacana, me escrevia poemas, ia na minha casa todos os dias, me deu flores, mas para mim, ele era apenas um amigo. Ele é lindo, um homem e tanto. Tinha lá seus problemas e como eu disse a ele várias vezes, ele não batia muito bem. Eu juro que poderia até ter "ficado" com ele, mas com 15 anos eu só queria ficar com pessoas por quem eu estivesse apaixonada e eu estava apaixonada pelo meu melhor amigo, que era também o melhor amigo dele. Muita coisa rolou, muito tempo passou, eu comecei a namorar,com outra pessoa, que não era nenhum dos dois, um cara superbacana também, que durou vários anos. Um cara que hoje é meu amigo. Quando esse meu namoro terminou eu já tinha um conceito diferente para "ficar" e não precisava mais estar apaixonada e comecei a me divertir, me conheci muito, me apaixonei, comecei a namorar(e ainda estou até hoje).
Eu fico pensando quantos caras achavam que eu estava apenas jogando-os nessa tal zona da amizade, pois eu adorava a companhia de rapazes, adorava estar com eles. Quando eu tinha lá meus 15, eu andava com um grupo com vários meninos, que eram das mais variadas personalidades. Um deles tem o abraço mais gostoso que eu já recebi. Um outro era super atencioso, outro era divertido, engraçado. Tinha o revoltado, o por quem eu era apaixonada, o meu amigo que achava que eu era "feminista demais" e que discutia altamente comigo por isso.
Vários outros homens passaram na minha vida. Alguns foram só grandes amigos, outros, foram pessoas com que eu tive algum outro tipo de relacionamento, mas em sua maioria, esses homens continuam me respeitando e sendo meus amigos, mesmo a distância.
Sempre evitei homens que achassem que alguém livre era "vadia" ou "puta".
Participei de altas discussões de gênero com esses caras e com muitas outras pessoas.
Sempre tive amigas e nunca quis competir com elas. Achava isso uma babaquice tremenda. Outro dia, estava conversando com minha melhor amiga, uma linda, que mesmo morando longe de mim é uma das pessoas mais especiais da minha vida, e estávamos lembrando de como, coincidentemente, nos apaixonávamos sempre pelos mesmos caras. Foram poucos que não foram assim. Mas isso era altamente normal. Andávamos com as mesmas pessoas, tínhamos os mesmos gostos, etc.
Tem várias outras garotas que eu convivia e raramente eram com garotas que chamavam as outras de putas ou que julgavam pela aparência.
Tive vários problemas com garotas que pensavam diferente de mim.
Tive lapsos de preconceito e tenho até vergonha de dizer que um dia classifiquei homens em: "Para namorar" e "para se divertir". Os mais sérios e por quem eu me apaixonava eram pra namorar e os outros "para se divertir".
Eu estudei no meio do mato(uma escola agrícola) quando ninguém acreditava que uma menina "normal" pudesse aguentar o tranco.
Eu sempre amei matemática,contra todas as expectativas, afinal, existem estudos que mulheres não são tão boas em exatas.
Trabalho em uma profissão tipicamente "masculina".
Eu sempre fiz o que quis, por que achava que isso era meu direito e pronto.
Sempre fui pessoalmente contra o aborto, ou seja, eu não faria um, mas sempre achei que quem quisesse fazer, deveria poder. Eu nunca quis ficar grávida. Ser mãe nunca foi uma das minha metas, sempre pensei mais em carreira.
Eu nunca amei rosa. Minha cor favorita é azul claro. Eu sempre usei rosa por que minha mãe gostava e eu sempre queria roupas parecidas com as dela. Eu sempre admirei minha mãe(que é dona de casa, costureira e uma mulher incrível).
Não sei quando comecei a ser feminista "de verdade" e de longe sou uma ótima feminista, mas procuro sempre refletir sobre o que eu faço, todos os dias.
Fui justa? Discriminei alguém? Pratiquei slutshaming? Fico me lamentando por que o Brasil é imperfeito, como qualquer outro país do mundo? Fiquei reclamando de preços injustos, dizendo que nosso país está ruim ou falando besteiras de leis que eu nem li?
Para se tornar uma pessoa melhor é necessário refletir, tirar conclusões e mudar.


 

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